O prazer contextualizado

O prazer associado com o uso de drogas ilícitas é raramente reconhecido nos debates contemporâneos de políticas sobre drogas. Em geral, estão associados aos efeitos puramente fisiológicos e ou efeitos “sensoriais” destas substâncias.

Uma pesquisa qualitativa realizada na Austrália mostrou que os usuários de drogas ilícitas associam tais “prazeres” a outros elementos que vão muito além dos efeitos puramente farmacológicos produzidos por estas substâncias Experiências corporais de “espaço” como sentir a batida de uma música eletrônica em uma grande festa/balada, ou se sentir “envolvido” com ambientes naturais e selvagens, fazem parte destes elementos.

O uso de diferentes drogas ilícitas funciona também como importante mediador para a interação com pessoas desconhecidas e até mesmo para a “experiência” de dançar.

A forma como determinadas pessoas encaram a sua experiência de prazer frente ao uso de drogas pode ser fundamental para se repensar o “prazer” e como ele media os diferentes comportamentos relacionados ao uso em geral.

Uma compreensão mais ampla no entendimento destas relações pode facilitar o surgimento de novas iniciativas de redução de danos e prevenção que levem em consideração os diferentes contextos e formas de prazer.

Duff, C. (2008). The pleasure in context. Int J Drug Policy, 19(5), 384-392. doi: 10.1016/j.drugpo.2007.07.003